Como disse, sou nata de Londrina, cidade grande, a segunda maior do paraná. Um belo lugar para se morar.
Meus pais tem raízes diferentes, mas que não deu-se importância para contrair o matrimonio entre si.
Do amor começado a dois, surgiu-se nove lindos filhos,sendo que agora estamos em oito, todos saudáveis, limpinhos e na medida do possível fomos crescendo com nossas barriguinhas cheias sempre dentro dos horários convencionais.
Meu pai foi um orgulho para meu país,
Digo país pois para mim e meus irmãos ele tem sido sempre nosso herói, porque aqui em diversas regiões alguém já usufruiu dos frutos de seus serviços.
Poderia começar dizendo que ele foi isso ou aquilo para nossa cidade pois, ele foi prestador de serviços braçais sem um registro oficial que comprovassem sua existência nessa área, mas do que importa se ele tinha ou não, o que importava na época eram os resultados de seu trabalho o demais não tinha importância.
O que sei, é que foi distribuído para diversas cidades brasileira os produtos produzidos por suas próprias mãos no fundo do quintal onde residia. Comerciantes londrinenses compartilharam de seus serviços, nada de se gabar, é a base do toma lá da cá o que lembra algo como a lei dos sobreviventes, (obedece quem tiver juízo).
Tudo parece não ter sentido para quem nesse momento estiver lendo. Também concordo com você, pois também estou embaralhada em minhas idéias para acerta-las bem aqui nesse espaço em branco dando me oportunidade de ao menos tentar difundir o que foi de suma importância para mim.
Vou começando a lhe dizer que meu genitor como muitas crianças, teve a sorte de nascer saudável e por determinado espaço de sua vida em sua adolescência teve uma grande febre e por falta de recursos financeiros veio a perder totalmente sua visão. Esse fato ocorreu por não terem acesso a especialistas para impedir que sua visão fosse afetada.
Quando recordo de meu pai, fico a pensar no quanto ele ficou desolado por não mais poder ver a luz do sol, as cores e outras tantas coisas que lhes foram tiradas. TIRADAS SIM com todas letras bem maiúsculas, escancaradas para que todos possam ver. Pois acredito que foi tirado de meu pai o direito dele ver seus filhos, sobrinhos que iam nascendo, os netos que estavam por vir o que não tem preço para qualquer genitor assistir o sorriso e travessuras de seus pequeninos.
Quem entre nós que gostaria de não mais poder ver tudo quanto nos é mais belo nessa vida? Acredito que ninguém se prontificaria. Porém, meu pai e tantos outros como ele não tiveram escolhas. Simplesmente foram tirado alguma coisa importante de suas vidas que indenizações fartas não substituem suas perdas que não existe valor que se aproxime para amenizar seus sofrimentos. Falando nisso,quero lembrar que não é o caso de meu pai.
Foi dado como alivio de consciência, uma aposentadoria no valor minimo do minimo para ele ir tocando a vida como dá.
O mais triste,é que não será o caso do meu pai o primeiro e infelizmente não será o último.
Meu maior desespero é o de pensar, que entra ano e sai ano e poucos estão cada vez mais com salários exorbitantes e uma péssima administração financeira em questão de distribuição de rendas e isso ainda sendo repetido cada vez mais todos os dias e o que é pior, sendo escancarado na mídia.
Sendo assim, como não estou falando nada com nada, quero convidar você que por aqui tem ficado comigo até a esse instante para ler o livro do escritor Izrael Rotenberg; História da Insensatez Humana.
Aí a decisão será sua se vai agir diferente ou não mediante a nossa circunstância. Você é quem decide.
OBS: Meu pai nos deixou no dia seguinte da comemoração de nossa Independência no dia 08 de Setembro de 1992. Bem no ano e mês do meu casamento. Se querem saber se adiei essa data já vos digo de ante mão que não. Pois de que adiantaria mudar se ele não iria estar com vida para me parabenizar naquele momento que para mim seria muito importante.
Confesso que levei entre os meus dedos uma pequena foto sua para que estivesse comigo e pude sentir ainda o seu cheiro junto a mim. Pude sentir sua benção nos abençoando e ainda senti que ao partir ele pode deixar para cada filho o legado do seu caráter, amor e a fé de que um dia melhor ainda há de raiar no meio da humanidade. Ele faleceu acreditando que na mutação do homem, haverá aquele que nos vai surpreender por fazer a diferença.
E eu como eleitora, também acredito nisso. Não percamos a FÉ.
Até mais breve.